Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 09 de Abril de 2026

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Doenças ligadas à falta de saneamento geram custo de R$ 100 mi ao SUS



As internações hospitalares de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS), em todo o país, por doenças causadas pela falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade, ao longo de 2017, geraram um custo de R$ 100 milhões. De acordo com dados do Ministério da Saúde, ao todo, foram 263,4 mil internações. O número ainda é elevado, mesmo com o decréscimo em relação aos casos registrados no ano anterior, quando 350,9 mil internações geraram custo de R$ 129 milhões.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada dólar investido em água e saneamento resultaria em uma economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo. Recentemente, organizações ligadas ao setor privado de saneamento, reunidas em São Paulo, reforçaram a teoria da economia produzida por este investimento. Pelas contas do grupo, a universalização do saneamento básico no Brasil geraria uma economia anual de R$ 1,4 bilhão em gastos na área da saúde.

No mesmo evento – Encontro Nacional das Águas – os representantes das empresas apontaram que dos 5.570 municípios do país, apenas 1.600 têm pelo menos uma estação de tratamento de esgoto e 100 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à tratamento de esgoto.

Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 44,92% dos esgotos coletados no país são tratados. O Brasil tem uma meta de universalização do saneamento até 2033. Este objetivo previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico, representaria um gasto de cerca de R$ 15 milhões anuais, ao longo de 20 anos. E este é um dos desafios para os governantes a serem eleitos em outubro.

A reportagem da Agência Brasil visitou Maceió, capital de Alagoas, cidade onde o percentual de coleta de esgoto é 11 pontos percentuais inferior à media do país (51,9%).

Maceió

Quem chega a Maceió logo se deslumbra com azul do mar e a simpatia dos moradores. Mas, basta um olhar mais atento em direção oposta à praia para concluir que o deleite visual produzido pela natureza disputa espaço com canais de esgoto a céu aberto. O mais grave é que grande parte dos dejetos, que corre ao longo de rios e riachos e cruza diversos bairros da cidade, acaba desaguando no mar.

“Temos praias lindas, mas nós não usamos porque sabemos que são bem poluídas. Temos a Lagoa Mundaú, dentro da cidade, e correndo para ela que tem vários braços de rios e riachos que, inclusive passam por bairros nobres, e todos servem para despejo de dejetos e lixos das casas”, lamentou a advogada Rita Mendonça.

Alagoana e atuante em direitos humanos, Rita reconhece que foram feitos investimentos na área de saneamento, mas a população cresceu em velocidade desproporcional aos recursos aplicados. Outro alerta recai sobre a falta de conscientização dos próprios habitantes. “As pessoas jogam lixo nesses rios e riachos porque não podem esperar o lixeiro passar. E todos desembocam no mar”, lamentou.

A realidade para quem vive o dia a dia na capital alagoana tem reflexos que vão além da balneabilidade das praias urbanas. Na economia, famílias que já vivem em situações mais precárias e dependem da pesca do sururu correm o risco de terem a fonte de renda comprometida. Em 2014, o molusco, largamente encontrado nas regiões lacustres de Alagoas em função dos encontros de água doce e salgada, foi registrado como patrimônio imaterial do estado. Moradores, agora, relatam e lamentam a redução do volume pescado em decorrência da poluição da água.

Saneamento básico em Maceió
Em Maceió, moradores reclamam que esgoto e lixo ficam a céu aberto – Carolina Gonçalves/Agência Brasil

 

O comércio é também alvo do problema. Empresária e dona de uma loja de roupas no bairro da Jatiúca, Vanessa Taveiros, aponta para o esgoto que corre ao lado de um dos restaurantes mais badalados de Maceió. “Já foram feitas várias denúncias e nada é feito. Quando chove, tudo fica alagado, tem ruas aqui na Jatiúca que nenhum carro passa e os lojistas ficam sem vender porque fica tudo interditado”, disse.

Na saúde, os problemas relacionados ao saneamento aparecem em números de sete dígitos. Segundo o Ministério da Saúde, em todo o estado, ao longo de 2017, foram gastos mais de R$ 2,2 milhões com 5.183 internações no SUS de pacientes com doenças ligadas à falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade. No mesmo ano, em todo o país, o total de gastos com este tipo de internação somou R$ 100 milhões.

O rol dessas doenças inclui desde diarreias e problemas dermatológicos até infecções mais graves, cólera, sarampo, além do agravamento de epidemias, já que a exposição do esgoto a céu aberto aumenta condições para a proliferação do mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika.

Maceió não é uma cidade planejada e é possível ver que o problema do saneamento afeta todas as classes econômicas. Algumas ruas começam na praia, como na Jatíuca, com prédios e casas visualmente de classe média alta, e terminam em trechos extremamente pobres. O despejo de lixo nos rios e riachos é feito por parte da própria população, mas também é parte dos alagoanos que lamenta os efeitos dessa prática.

Saneamento básico em Maceió
Capital alagoana sofre com a falta de saneamento básico – Carolina Gonçalves/Agência Brasil

“Não vou esquecer nunca. A gente saia da escola e vinha direto para a Praia da Avenida. Era aqui que passávamos os finais de semana com a família também. Agora é impossível”, lamentou o taxista, de 54 anos, que não quis se identificar. Segundo ele, até dejetos de um hospital foram lançados pelo canal que desemboca na praia que faz parte de seu imaginário.

A concessão dos serviços de saneamento é da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) que, em função do período eleitoral, preferiu não conceder entrevistas. Em nota enviada à Agência Brasil, assessores informaram que, dos 102 municípios do estado, a Casal opera em 77. Desses, 12 têm rede coletora de esgoto, incluindo Maceió. Em vários municípios do interior, existem obras de implantação de rede da Funasa e da Codevasf, que são órgãos federais. “Somente após a conclusão dessas obras é que os sistemas são entregues para a Casal operar”, destacaram os assessores.

De acordo com o Ministério das Cidades, estão previstos no orçamento investimentos da ordem de R$ 277 milhões para a capital alagoana. Esse total inclui desde abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e estudos e projetos. “Já foram concluídos 5 empreendimentos, no valor de R$ 76,5 milhões, beneficiando 83,8 mil famílias”, informou a assessoria do órgão.

Ainda diante de números produzidos pela pasta – divulgados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – em 2016, 96,2% da população de Maceió foram atendidas com rede geral de abastecimento de água e 40,3%, com coleta de esgoto, “independentemente de existir tratamento”. Com relação ao total da população representada pelos municípios que responderam ao SNIS no ano de referência, Maceió tem o índice de abastecimento de água superior à média do Brasil (93%) e índice de atendimento total de esgoto 11 pontos percentuais inferior ao do país (51,9%).

Fonte: Agência Brasil



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Brasil

Solar Coca-Cola adota modelo de “Vale-Educação” para impulsionar talentos da base e alta liderança


Com foco na capacitação de seus colaboradores, acreditando na democratização da educação e seus impactos na sociedade, a Solar fez parceria com a maior plataforma de educação no Brasil – Unico Skill_

 

A Solar Coca-Cola, uma das maiores fabricantes do Sistema Coca-Cola do país, anuncia o lançamento do Educa Solar, uma iniciativa que posiciona a engarrafadora na vanguarda da gestão de pessoas em seu segmento. Em parceria com a Unico Skill, a empresa implementa o conceito de vale-educação, oferecendo ao colaborador autonomia total para construir sua própria trilha de desenvolvimento.

 

A iniciativa nasce com um projeto piloto voltado para mais de 450 talentos de todo o território da Solar, incluindo colaboradores de Mato Grosso, que terão acesso gratuito à plataforma até dezembro de 2026. O Educa Solar democratiza o acesso a cursos de instituições de prestígio global, como Harvard e Insper, além de diversas universidades e escolas de idiomas, abrangendo todos os territórios onde a companhia atua.

 

Com o Educa Solar, a Solar Coca-Cola reforça seu compromisso com o desenvolvimento contínuo de seus talentos e com a construção de um ambiente de aprendizado acessível, flexível e alinhado às necessidades do negócio e dos colaboradores, fortalecendo sua estratégia de pessoas e preparando a organização para os desafios do futuro.

 

Nesta fase inicial, o programa contempla colaboradores selecionados a partir do Ciclo de Gestão de Talentos 2025, incluindo profissionais que se destacaram em iniciativas de inovação com o Programa “Times que Inspiram” e profissionais com foco em seu alto desenvolvimento. O Educa Solar se diferencia pela sua abordagem inclusiva: cerca de 68% dos participantes do piloto atuam em posições operacionais, de análise e supervisão, reforçando o compromisso da Solar Coca-Cola com a mobilidade social, a equidade de oportunidades e o desenvolvimento de carreiras em todos os níveis da operação.

 

O sistema de “vale-educação” da Unico Skill entrega um ROI (Retorno sobre Investimento) de até 4 vezes sobre o valor de mercado. Isso significa que, a cada real investido pelas empresas, os colaboradores consomem 4 reais em educação de qualidade. Na prática, com os acessos (licenças), a Solar permite que seus funcionários usufruam de cursos que custam aproximadamente R$ 1,1 milhão, caso fossem pagar diretamente às instituições de ensino neste primeiro ano.

 

Repercussão no setor e na sociedade

 

Em um país onde apenas 20,5% da população com 25 anos ou mais possui ensino superior completo, segundo o IBGE, e no qual somente 1% dos brasileiros é fluente em inglês, de acordo com estudos do British Council, ampliar o acesso à educação como benefício corporativo contribui diretamente para a redução de desigualdades, o fortalecimento da mobilidade social e a geração de oportunidades reais de desenvolvimento. Iniciativas como essa ampliam o potencial dos profissionais, promovem inclusão e geram valor sustentável para a sociedade e para as empresas que assumem esse compromisso.

 

A iniciativa da Solar Coca-Cola reforça o papel da empresa como agente ativo de transformação social, ao ir além do desenvolvimento interno e estimular este movimento na sociedade. “Acreditamos que o acesso à educação de qualidade é uma das formas mais consistentes de transformar realidades. Quando a empresa investe no desenvolvimento das pessoas, o impacto vai além da carreira individual e alcança famílias, comunidades e o futuro do país. O Educa Solar nasce com esse propósito: ampliar oportunidades a partir de dentro da nossa própria organização, usando a educação como um caminho real de inclusão, mobilidade social e crescimento sustentável”, afirma Emiliana Albanaz, diretora de Recursos Humanos da Solar Coca-Cola.

 

O relatório 2026 Global Human Capital Trends, da Deloitte, revela que 58% da força de trabalho do mundo está se sentindo menos relevante diante das mudanças vivenciadas no último ano. O mesmo estudo aponta que organizações que não conseguem reverter esse estado enfrentam uma estagnação que ameaça sua própria sobrevivência. Por outro lado, organizações que fazem o trabalhador se sentir parte da transformação, como a Solar, são 2,4 vezes mais propensas a terem melhores resultados financeiros.

 

A parceria com a Unico Skill foi escolhida pela flexibilidade e profundidade do conteúdo. O modelo permite que o colaborador realize até quatro cursos simultâneos, além de mentorias, com total autonomia para escolher as trilhas que melhor se conectam aos seus objetivos pessoais e de carreira.

 

A plataforma da Unico Skill conecta colaboradores da Solar a mais de 80 instituições de ensino, que oferecem mais de 20 mil opções de graduações, pós, cursos livres, técnicos, de idiomas e mentorias, além de educação de jovens e adultos. “Nossa tecnologia democratiza a excelência educacional porque remove barreiras ao ensino, personaliza o aprendizado e dá escala ao desenvolvimento profissional”, afirma Joca Oliveira, CEO da Unico Skill. “A parceria com a Solar Coca-Cola mostra que esse modelo funciona em qualquer setor, em qualquer região do Brasil. O Norte e o Nordeste têm uma força de trabalho com enorme potencial represado, e a educação é o caminho mais direto para transformar esse cenário”, completa.

 

O lançamento oficial do Educa Solar ocorreu no dia 1º de abril, via webinar para todo o ecossistema da empresa. A meta é atingir 70% de adesão entre os participantes do piloto, o que pavimentará o caminho para a expansão do benefício para toda a base de colaboradores da Solar no futuro.

Assessoria


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