Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 29 de Setembro de 2026

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Doenças ligadas à falta de saneamento geram custo de R$ 100 mi ao SUS



As internações hospitalares de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS), em todo o país, por doenças causadas pela falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade, ao longo de 2017, geraram um custo de R$ 100 milhões. De acordo com dados do Ministério da Saúde, ao todo, foram 263,4 mil internações. O número ainda é elevado, mesmo com o decréscimo em relação aos casos registrados no ano anterior, quando 350,9 mil internações geraram custo de R$ 129 milhões.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada dólar investido em água e saneamento resultaria em uma economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo. Recentemente, organizações ligadas ao setor privado de saneamento, reunidas em São Paulo, reforçaram a teoria da economia produzida por este investimento. Pelas contas do grupo, a universalização do saneamento básico no Brasil geraria uma economia anual de R$ 1,4 bilhão em gastos na área da saúde.

No mesmo evento – Encontro Nacional das Águas – os representantes das empresas apontaram que dos 5.570 municípios do país, apenas 1.600 têm pelo menos uma estação de tratamento de esgoto e 100 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à tratamento de esgoto.

Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 44,92% dos esgotos coletados no país são tratados. O Brasil tem uma meta de universalização do saneamento até 2033. Este objetivo previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico, representaria um gasto de cerca de R$ 15 milhões anuais, ao longo de 20 anos. E este é um dos desafios para os governantes a serem eleitos em outubro.

A reportagem da Agência Brasil visitou Maceió, capital de Alagoas, cidade onde o percentual de coleta de esgoto é 11 pontos percentuais inferior à media do país (51,9%).

Maceió

Quem chega a Maceió logo se deslumbra com azul do mar e a simpatia dos moradores. Mas, basta um olhar mais atento em direção oposta à praia para concluir que o deleite visual produzido pela natureza disputa espaço com canais de esgoto a céu aberto. O mais grave é que grande parte dos dejetos, que corre ao longo de rios e riachos e cruza diversos bairros da cidade, acaba desaguando no mar.

“Temos praias lindas, mas nós não usamos porque sabemos que são bem poluídas. Temos a Lagoa Mundaú, dentro da cidade, e correndo para ela que tem vários braços de rios e riachos que, inclusive passam por bairros nobres, e todos servem para despejo de dejetos e lixos das casas”, lamentou a advogada Rita Mendonça.

Alagoana e atuante em direitos humanos, Rita reconhece que foram feitos investimentos na área de saneamento, mas a população cresceu em velocidade desproporcional aos recursos aplicados. Outro alerta recai sobre a falta de conscientização dos próprios habitantes. “As pessoas jogam lixo nesses rios e riachos porque não podem esperar o lixeiro passar. E todos desembocam no mar”, lamentou.

A realidade para quem vive o dia a dia na capital alagoana tem reflexos que vão além da balneabilidade das praias urbanas. Na economia, famílias que já vivem em situações mais precárias e dependem da pesca do sururu correm o risco de terem a fonte de renda comprometida. Em 2014, o molusco, largamente encontrado nas regiões lacustres de Alagoas em função dos encontros de água doce e salgada, foi registrado como patrimônio imaterial do estado. Moradores, agora, relatam e lamentam a redução do volume pescado em decorrência da poluição da água.

Saneamento básico em Maceió
Em Maceió, moradores reclamam que esgoto e lixo ficam a céu aberto – Carolina Gonçalves/Agência Brasil

 

O comércio é também alvo do problema. Empresária e dona de uma loja de roupas no bairro da Jatiúca, Vanessa Taveiros, aponta para o esgoto que corre ao lado de um dos restaurantes mais badalados de Maceió. “Já foram feitas várias denúncias e nada é feito. Quando chove, tudo fica alagado, tem ruas aqui na Jatiúca que nenhum carro passa e os lojistas ficam sem vender porque fica tudo interditado”, disse.

Na saúde, os problemas relacionados ao saneamento aparecem em números de sete dígitos. Segundo o Ministério da Saúde, em todo o estado, ao longo de 2017, foram gastos mais de R$ 2,2 milhões com 5.183 internações no SUS de pacientes com doenças ligadas à falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade. No mesmo ano, em todo o país, o total de gastos com este tipo de internação somou R$ 100 milhões.

O rol dessas doenças inclui desde diarreias e problemas dermatológicos até infecções mais graves, cólera, sarampo, além do agravamento de epidemias, já que a exposição do esgoto a céu aberto aumenta condições para a proliferação do mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika.

Maceió não é uma cidade planejada e é possível ver que o problema do saneamento afeta todas as classes econômicas. Algumas ruas começam na praia, como na Jatíuca, com prédios e casas visualmente de classe média alta, e terminam em trechos extremamente pobres. O despejo de lixo nos rios e riachos é feito por parte da própria população, mas também é parte dos alagoanos que lamenta os efeitos dessa prática.

Saneamento básico em Maceió
Capital alagoana sofre com a falta de saneamento básico – Carolina Gonçalves/Agência Brasil

“Não vou esquecer nunca. A gente saia da escola e vinha direto para a Praia da Avenida. Era aqui que passávamos os finais de semana com a família também. Agora é impossível”, lamentou o taxista, de 54 anos, que não quis se identificar. Segundo ele, até dejetos de um hospital foram lançados pelo canal que desemboca na praia que faz parte de seu imaginário.

A concessão dos serviços de saneamento é da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) que, em função do período eleitoral, preferiu não conceder entrevistas. Em nota enviada à Agência Brasil, assessores informaram que, dos 102 municípios do estado, a Casal opera em 77. Desses, 12 têm rede coletora de esgoto, incluindo Maceió. Em vários municípios do interior, existem obras de implantação de rede da Funasa e da Codevasf, que são órgãos federais. “Somente após a conclusão dessas obras é que os sistemas são entregues para a Casal operar”, destacaram os assessores.

De acordo com o Ministério das Cidades, estão previstos no orçamento investimentos da ordem de R$ 277 milhões para a capital alagoana. Esse total inclui desde abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e estudos e projetos. “Já foram concluídos 5 empreendimentos, no valor de R$ 76,5 milhões, beneficiando 83,8 mil famílias”, informou a assessoria do órgão.

Ainda diante de números produzidos pela pasta – divulgados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – em 2016, 96,2% da população de Maceió foram atendidas com rede geral de abastecimento de água e 40,3%, com coleta de esgoto, “independentemente de existir tratamento”. Com relação ao total da população representada pelos municípios que responderam ao SNIS no ano de referência, Maceió tem o índice de abastecimento de água superior à média do Brasil (93%) e índice de atendimento total de esgoto 11 pontos percentuais inferior ao do país (51,9%).

Fonte: Agência Brasil



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Após articulação com Estado, Nininho anuncia empresa que fará asfalto entre Primavera do Leste e Nova Poxoréu


Sinfra homologou concorrência para pavimentação e drenagem no distrito; resultado da licitação está no Diário Oficial; Barracon Construtora venceu a disputa com proposta de R$ 8,46 milhões

 

Após articulação com Estado, Nininho anuncia empresa que fará asfalto entre Primavera do Leste e Nova PoxoréuSinfra homologou concorrência para pavimentação e drenagem no distrito; resultado da licitação está no Diário Oficial; Barracon Construtora venceu a disputa com proposta de R$ 8,46 milhões

29/09/2026 às 10h25

Por: Sergio OberFonte: AssessoriaCompartilhe:Após articulação com Estado, Nininho anuncia empresa que fará asfalto entre Primavera do Leste e Nova Poxoréu

A pavimentação do trecho de 5,6 quilômetros da estrada que dá acesso ao distrito de Nova Poxoréu, em Poxoréu, a partir de Primavera do Leste, avançou para a fase de contratação. O Governo do Estado concluiu a licitação para as obras de pavimentação asfáltica e drenagem. O aviso do resultado foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (29/9). A Barracon Construtora foi declarada vencedora com proposta de R$ 8,46 milhões.

 

Essa obra é uma conquista das articulações lideradas pelo deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) junto ao Executivo estadual e à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). A licitação prevê pavimentação asfáltica e drenagem em uma área total de 43,5 mil metros quadrados no distrito de Nova Poxoréu. O anúncio representa uma nova etapa de uma reivindicação antiga dos moradores de Nova Poxoréu e da região de Vale Verde, que mantêm relação cotidiana com Primavera do Leste.

 

A estrada é utilizada para acesso a serviços, transporte escolar e deslocamento da produção rural, além de concentrar dificuldades de tráfego durante os períodos de chuva e de seca. Nininho atribui o avanço do processo à articulação mantida ao longo dos últimos anos com lideranças locais e com o Governo do Estado. O deputado enaltece a atuação do ex-governador Mauro Mendes, do governador Otaviano Pivetta e do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira.

 

“Essa é uma reivindicação de muitos anos das famílias que vivem naquela região. Nós acompanhamos essa demanda ao longo do tempo, levamos o assunto ao Governo do Estado e cobramos uma solução porque quem mora ali conhece bem as dificuldades provocadas pela poeira e, principalmente, pela lama no período das chuvas”, relata Nininho.

 

INTEGRAÇÃO

 

Nininho diz que esse asfalto atenderá uma cobrança recorrente apresentada por moradores e lideranças da região. “É um asfalto que terá efeito positivo na vida de quem precisa sair de Nova Poxoréu e Vale Verde todos os dias. Também facilita o transporte da produção e melhora o acesso a Primavera do Leste, que é uma referência para essas comunidades em comércio e serviços. Agora temos uma empresa definida, o processo sai do papel e entra em uma fase definitiva”, comenta.

 

O vereador Herbert Vianna, de Primavera do Leste, atribui o resultado à mobilização dos moradores e à participação de lideranças políticas dos municípios envolvidos. Ele lembra quo asfaltamento da estrada é uma demanda de mais de dez anos pela população de Vale Verde e Nova Poxoréu. Para o vereador, os principais beneficiados são os próprios moradores que sustentaram a reivindicação ao longo dos anos.

 

“Essa luta do asfalto é do povo do Vale Verde e da Nova Poxoréu, que durante mais de dez anos correu atrás desse sonho”, declara Herbert. “A estrada é uma necessidade de hoje. Quem mora ali precisa trabalhar, estudar, buscar atendimento médico, transportar sua produção e voltar para casa com segurança. É isso que faz essa obra ser tão importante para a comunidade”, acrescenta.

 

INCORPORAÇÃO

 

A pavimentação da estrada está ligada a outra conquista importante de Nininho: o processo de incorporação de Nova Poxoréu e da comunidade Vale Verde ao município de Primavera do Leste. Presidente da Comissão de Revisão Territorial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o parlamentar esteve à frente dos estudos técnicos, audiências públicas e trâmites legislativos que fundamentaram o Projeto de Lei Complementar aprovado na Casa, dando voz a uma demanda antiga dos moradores que já mantêm relação socioeconômica diária com o polo primaverense.

 

O passo decisivo para a mudança territorial ocorrerá no dia 25 de outubro, data em que a população irá às urnas para decidir o futuro da região por meio de um plebiscito oficial organizado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT). A votação será realizada simultaneamente nos municípios de Poxoréu e Primavera do Leste, no mesmo formato das eleições tradicionais, utilizando urnas eletrônicas para garantir a transparência e a segurança do sufrágio popular. Os eleitores aptos deverão responder de forma direta se concordam com a alteração dos limites municipais e a transferência do distrito.

 

Nininho argumenta que a consulta popular representa a consolidação do sentimento de pertencimento e do desenvolvimento regional. Se a maioria dos eleitores votar favoravelmente ao “Sim” (representado pelo dígito “2”), a anexação formal permitirá que Primavera do Leste assuma integralmente a oferta de serviços públicos essenciais, como saúde, educação, manutenção viária e segurança na localidade.

 

A integração definitiva, somada aos investimentos em infraestrutura viária, promete transformar Nova Poxoréu em um novo vetor de crescimento integrado ao agronegócio e ao comércio da região.

Redação: Sérgio Ober


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