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Oncologista alerta que fumantes têm 20 x mais chances de ter câncer de pulmão



O tabagismo está na origem de 90% dos casos de câncer de pulmão entre os homens e 80% entre as mulheres. Os fumantes têm cerca de 20 vezes mais risco de desenvolver a doença e, para piorar, aqueles que não fumam, porém convivem com fumantes, também correm risco de desenvolver a doença.

O alerta é do oncologista clínico Eduardo Dicke e faz parte da campanha de conscientização “Agosto Branco”, desenvolvida pela Clínica de Tratamento Multidisciplinar do Câncer (Oncomed).

Segundo o oncologista, não há como falar em prevenção sem tocar na questão do combate ao tabagismo que é o grande vilão neste tipo de doença, revela o médico. “O profissional pode orientar, mas não tem como obrigar o paciente a parar de fumar, por isso o tratamento contra o tabagismo é multidisciplinar e envolve toda a família e políticas públicas”, ressalta. “O fumante tem que ter consciência de que o fumo prejudica a saúde dele e de quem está a sua volta. Ele precisa querer e dar o primeiro passo para parar de fumar”.

“Sempre digo que parar de fumar foi a melhor coisa que fiz por mim e se puder dar um conselho para quem fuma é que pare. Não vale a pena”

Ex-fumante

A dona de casa, de 47 anos, que não terá o nome divulgado, conta que fumou por quase 20 anos, deu as primeiras tragadas na juventude, por volta dos 24. Parou de fumar diversas vezes, mas a dependência química e psicológica provocada pelo tabaco a fazia voltar ao vício. “Experimentei e gostei de fumar, e ainda lembro o quanto é gostoso. No entanto, depois de algum tempo me sentia presa e afetada, seja pelas crises de rinite, que aumentaram, falta de ar, seja pelo mau cheiro que impregna no cabelo, mãos e todo o corpo”.

Há 18 anos parou de fumar três meses antes de engravidar, mas voltou oito meses depois do parto. Com a chegada da filha, tentou largar o cigarro por diversas vezes, mas só se viu livre das tragadas há 8 anos. “Sempre digo que parar de fumar foi a melhor coisa que fiz por mim e se puder dar um conselho para quem fuma é que pare. Não vale a pena”.

infográfico câncer de pulmão

Uma das principais formas de prevenir do câncer no pulmão é deixando de fumar. Conheça neste quadro sintomas e formas de tratamento pós diagnóstico

Novos casos

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país soma 28.220 novos casos de tumores pulmonares ao ano, questões genéticas e história familiar, exposição à fumaça ambiental e exposição a produtos tóxicos como asbestos e sílica são fatores de risco para a doença, mas a grande maioria dos casos câncer de pulmão é relacionada ao cigarro.

Muitos pacientes apresentam outras enfermidades relacionadas ao tabagismo, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou enfisema, e a cardiopatia coronariana.

A taxa de mortalidade depende muito do estágio em que o tumor é diagnosticado. Os sintomas do câncer de pulmão são: falta de ar, tosse, sangramento na tosse, infecções respiratórias, dor torácica, nódulos no pescoço. O especialista pondera ainda que qualquer sintoma prolongado, persistente por mais de 15 dias precisa procurar um médico e fazer a avaliação e os exames adequados. “No inverno as infecções respiratórias tendem a aumentar e no caso de fumantes ativos ou passivos há mais chances de surgirem”.

“Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida”

Eduardo Dicke, oncologista

Para mudar a realidade atual, a Medicina tem avançado muito nos últimos anos e é por isso que nos pacientes de risco, principalmente os de antecedentes de tabagismo prolongado ou com histórico familiar da doença, o exame de tomografia computadorizada de alta resolução tem sido incluído nos exames de check-up, o que permite a detecção de casos precoces com maior possibilidade de tratamento cirúrgico.

É um órgão difícil, não é simples o diagnóstico, depende de biopsia pulmonar que é um exame complexo, mas necessário. Os tratamentos variam, mas podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia com drogas direcionadas e imunoterapia. Novos testes moleculares permitem definir a melhor terapia alvo-específica.

Para aqueles que desejam ajudar um familiar a deixar de fumar, o SUS oferece tratamento gratuito. A Secretaria Estadual ou Municipal de Saúde pode informar o local com o tratamento disponível mais próximo da sua casa. Para ter acesso ao tratamento, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde que presta o atendimento, levar a identidade e se inscrever no programa de combate ao tabagismo do SUS.

“Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tal como câncer, enfisema ou derrame. Quanto mais cedo for descoberto a doença, mais chances de ter bons resultados no tratamento  e até cura”, reforça Dicke.

O especialista afirma que na última década o tratamento evoluiu muito.Há testes de subtipos, medicação específicas com menos chance de efeitos colaterais, porém o apoio familiar ainda continua sendo primordial. “Como todo tratamento que combate um vício, esse amparo que agrega bem-estar e qualidade de vida ao paciente reduz o índice de insucesso” , aconselha.

Fonte: RDNews



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política

TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição


Proposta foi escrita pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça

TSE faz últimos preparativos para o primeiro turno nas Eleições 2018

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após o tema ser debatido em reuniões informais realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). O texto foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral.

Em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou não se tratar de uma iniciativa pessoal do ministro, mas que coube a ele a autoria da minuta por ser tradição que as normas eleitorais sejam redigidas pelo vice-presidente do TSE.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que o texto foi redigido a partir de um consenso interno, e que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

O texto da minuta aplica aos canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já vigoram sobre o conteúdo impulsionado de campanha, aquele cujo alcance é potencializado mediante pagamento às plataformas.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva”.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi retirado do ar pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida e que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa, como fez, uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.

Por fim, o Exército do Lula acabou sendo liberado pelo presidente do TSE, após o registro ter sido feito pela campanha oficial.

Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil


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