Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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UTI pediátrica da Santa Casa de Rondonópolis (MT) fecha as portas por falta de repasses do governo



A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica da Santa Casa de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, foi fechada por falta de repasses do governo do estado. Segundo a diretoria do hospital, que atende a pacientes de 19 municípios da região, os médicos não recebem há quatro meses e a maior parte dos que atendiam na UTI pediram a rescisão do contrato.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) informou que aguarda a liberação dos recursos por parte da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz-MT) para poder efetuar o pagamento e que isso deve ocorrer o mais rápido possível. No entanto, a pasta não deu um prazo para o pagamento.

Atualmente, só dois pacientes estão internados na UTI pediátrica, mas eles devem ser transferidos para outra unidade e o setor não irá mais receber novos pacientes. Segundo o superintendente da Santa Casa de Rondonópolis, Éder Lúcio de Souza, sem os repasses do governo, não é possível manter uma equipe de terapia intensiva pediátrica no hospital.

“Não dá para fazer mágica. O profissional trabalha e precisa receber. Há 14 meses que o serviço está aberto. Hoje nós temos a assistência, mas o serviço será fechado e a gente não sabe o que vai acontecer com aqueles que, por ventura, venham necessitar dos nossos serviços”, afirmou.

Segundo a direção da Santa Casa, são necessários entre 8 e 10 médicos para manter a unidade funcionando, que trabalham em escala de dois para cada turno de 24 horas. Porém, com o atraso no pagamento, os profissionais pediram a rescisão do contrato e agora, apenas dois continuam trabalhando, conforme o diretor clínico e representante dos médicos, Luciano Oliveira.

“Eles deram o aviso à administração, vão cumprir o contrato deles e vão encerrar. E sem esses profissionais, não tem como a UTI funcionar”, afirmou.

Para que a UTI pediátrica saísse do papel, foram investidos quase R$ 4 milhões em estrutura física e equipamentos, dinheiro que foi bloqueado da conta do governo do estado após ação ingressada pela Ministério Público Estadual (MPE).

A UTI foi inaugurada há pouco mais de um ano e, de acordo com Luciano Oliveira, se a situação não for normalizada, esse pode ser apenas o primeiro setor da Santa Casa a ser fechado.

“Se as autoridades não se moverem, começa a desencadear o fechamento das outras UTIs, a cirurgia cardíaca, por exemplo, que foi uma grande conquista. Sem o repasse e o pagamento dos médicos, paulatinamente, o serviço vai se esfacelando”, disse.

Fonte: G1 Mato Grosso



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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