Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 13 de Outubro de 2026

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Prefeitura de Primavera do Leste cria ações para solucionar problemas com alagamentos



Segundo informações do Sindicato Rural de Primavera do Leste, na última segunda-feira (22) choveu aproximadamente 70 milímetros em meia hora. Foi uma das chuvas mais fortes dos últimos 10 anos. A tempestade provocou alagamentos em diversos pontos da cidade e por isso o prefeito Léo Bortolin se reuniu com jornalistas da cidade para uma coletiva de imprensa, afim de esclarecer as ações da prefeitura diante os alagamentos presentes em alguns pontos de Primavera do Leste há anos.

De acordo com o prefeito, três áreas do município foram afetadas: escolas, meio ambiente e infraestrutura. Quatro unidades escolares apresentaram alagamentos devido as chuvas: Novo Horizonte; Rosidelma Almeida; Maria de Nazaré; e Jeferson Mira. Todas as empresas responsáveis pelas obras foram notificadas. “Estamos fazendo com que os responsáveis pelas falhas nas estruturas se comprometam em organizar essas unidades”, disse Léo Bortolin.

Na área do meio ambiente a preocupação do gestor é quanto as erosões causadas pelas águas. O exemplo mais grave é o buraco que se aproxima da Avenida Florianópolis, na entrada da Avenida São Sebastião, que apresenta desmoronamento desde chuvas passadas. Neste local já está sendo realizada uma obra de recuperação.

O prefeito deixou claro que durante todo o ano estão sendo realizadas limpezas em bocas de lobo, onde tapete e até mesmo colchão já foram encontrados por servidores da Secretaria de Infraestrutura. Ele aproveitou para fazer um apelo à população, pedindo para que tomem cautela e não dispensem nas ruas objetos que possam ser levados aos bueiros pela água da chuva, pois esse é um dos fatores que contribui para os alagamentos.

Ele ainda informou que a Secretaria de Infraestrutura possui levantamento de todos os pontos de alagamento. Após a chuva de segunda-feira (22) foram identificadas mais de 10 localidades alagadas.

RUA DO COMÉRCIO (REGIÃO DA CONSTRUMOTA)

O prefeito voltou a falar sobre esse ponto de alagamento que é um dos mais críticos na cidade. Antes de começar as chuvas, cerca de R$ 5 mil foram investidos neste local. O nivelamento das caixas de captação de água da chuva foi feito para facilitar o escoamento. Hoje, por mais que ainda há alagamento, a água escoa de forma mais rápida.

Para solucionar o problema de forma definitiva, conforme o prefeito, a obra deve passar pelo meio da BR-070, onde será necessário escavar cerca de 12 metros para que sejam instalados tubos de espessuras maiores. A obra pode custar mais de R$ 1 milhão para o município. Além de conseguir esse dinheiro por meio de emendas parlamentares, é preciso que o DNIT – que está com as obras da BR-070 paralisadas há anos – trabalhe junto à prefeitura e colabora com a realização da obra.

“No início da nossa gestão conseguimos verbas em Brasília e as obras para drenagem no centro já iniciaram. Estamos próximos de iniciar uma intervenção na Avenida São Paulo, onde nova linha de drenagem vai escoar a água da região da Pista de Caminhada, para que não caia na mesma caixa adutora que capta a água acumulada na região do Construmota, mais uma medida para minimizar o problema causado pelo alagamento nesta localidade”, diz Léo. A obra será realizada com recursos próprios e com servidores da prefeitura.

Para os demais pontos de alagamento o prefeito declarou que em breve irá novamente à Brasília para conquistar mais recursos e efetivar as obras que solucionarão o problema de alagamento nesses locais.

PAUSA NAS OBRAS DO CENTRO

Ainda na coletiva o prefeito Léo Bortoin anunciou que as obras de drenagem no Centro terão uma pausa no período chuvoso e deve voltar na época da seca, no próximo ano. “De qualquer forma a obra já está licitada e com dinheiro em caixa. É só questão temporal, mas assim que possível será retomada”, explica o prefeito.

Fonte: Ascom Prefeitura de Primavera do Leste



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A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


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