Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 13 de Outubro de 2026

HOME / NOTÍCIAS

cidade

Prefeituras de Primavera do Leste e Poxoreú firmam parceria para mutirão de obras nos assentamentos da região do Vale Verde



Da Redação

Durante uma reunião na tarde de ontem, 30, na Prefeitura Municipal de Primavera do Leste, foi firmada uma parceria, para que a região dos assentamentos do Vale Verde, Nova Poxoreú, Bela Vista e arredores, recebam um mutirão de obras de manutenção nas estradas e pontes.

Para o mutirão, o vice-prefeito de Poxoreú, Marlon Cesar (PDT) se comprometeu em levar a demanda para o prefeito e ir à busca do cascalho para as ruas e das madeiras para as pontes.

Já o prefeito Leo Bortolin (PMDB) em contrapartida, se responsabilizou pela execução das obras, com profissionais e maquinários.

Participaram além dos gestores municipais, os vereadores de Primavera do Leste, mais de cinco presidentes de associações de assentamentos, também alguns profissionais da Secretaria de Obras, como o secretário, Eduardo Wolf.

O problema de alagamentos em vários pontos dos assentamentos, também de falta de estradas, de erosão, entre outros, perdura há décadas. Mas, por meio da união dos vereadores da Câmara de Primavera do Leste, que tem freqüentemente visitado e solicitado ajuda ao prefeito municipal, a Secretaria de Obras tem trabalhado bastante na região, porém dentro das possibilidades.

“Eu sempre estou pela região do Vale Verde, Nova Poxoréu, e vejo o quanto à comunidade sofre com os problemas de infraestrutura, como falta de estradas, erosão, e quando chega o tempo de chuva piora muito. Já enviei inúmeros ofícios ao prefeito Leo, ao secretário Eduardo, até para o prefeito Nelson de Poxoreú, mas entendo que todos têm dificuldades, às vezes com a matéria prima e às vezes com a falta de profissionais. Mas agora com essa idéia de fazer o mutirão, que terá a participação das duas prefeituras e dos moradores, acho que foi a melhor iniciativa acordada. Eu parabenizo aos gestores e também aos legisladores que sempre estiveram presentes na região independente de que lado político os moradores estão”. Explana o vereador Luis Costa (PR), que também corroborou durante a reunião.

Segundo o secretário de obras, Eduardo Wolf, a região dos assentamentos é uma área muito grande, e infelizmente nesta época da chuva o problema com as estradas e pontes agrava mais. “Nós temos muita dificuldades para a manutenção do local. Estamos desde o inicio da gestão fazendo trabalhos paliativos, mas o município de Primavera do Leste é grande e não temos como deixar as máquinas apenas em uma região, temos outras áreas para trabalhar também. Por isso pedimos apoio ao município de Poxoreú”. Explica Eduardo Wolf.

O mutirão passará por trâmites judiciais para sinalizar a parceria entre os municípios, e assim que surgir uma estiagem no tempo, as obras iniciaram.

Situação dos Assentamentos

Mesmo pertencendo ao município de Poxoreú, desde a última decisão judicial, os assentamentos dos arredores do Vale Verde, não ficaram sem manutenção. Com a parceria entre legislativo e executivo, a prefeitura de Primavera do Leste, tem prestado atendimentos a comunidade.

 



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


Antenado News