Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 13 de Outubro de 2026

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Primavera sediou o 1º Fórum Internacional do Milho



Da Redação

A produção de milho recorde de quase 30 milhões de toneladas em Mato Grosso foi um dos principais assuntos do 7º Fórum Mais Milho. O evento internacional foi realizado em Primavera do Leste, contou com a participação de autoridades políticas como o governador do estado, prefeitos de municípios da região, representantes de entidades ligadas à agricultura e de 21 embaixadores representando cinco continentes.

O evento teve como objetivo apresentar o atual cenário do milho no País e fomentar novas discussões. Foram abordados assuntos como, a comercialização do milho no mercado interno e externo, oportunidades de negócio para o setor do agro, métodos de produção que visa o aumento da produtividade aliada com o investimento tecnológico.

Para o prefeito de Paranatinga, Marquinhos (PMDB), o Fórum foi uma oportunidade de divulgar ainda mais o potencial do município. “Estamos em foco, porque o nosso município em área territorial é um dos maiores do estado. Se observarmos as cidades da nossa região, Primavera do Leste, Campo Verde, não tem mais área para o plantio, e Paranatinga tem esse potencial. Outro ponto importante falar é a pavimentação da MT-020, sentido Gaúcha do Norte. O governo do estado já começou os trabalhos e com isso vai melhorar para o transporte agropecuário de toda nossa região. Ainda a MT-130 passou por várias manutenções, e nosso anel viário será todo reestruturado. Já conversei com o governador do estado em breve começaremos as obras”. Menciona o prefeito Marquinhos.

O governador do estado de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB) disse durante o evento que Mato Grosso é destaque no cenário agro e o apoio que tem dado ao setor produtivo é o investimento em logística. “Produzimos uma média de 31% do milho do País, o que representa quase 30 milhões de toneladas. Para crescer esse número ainda mais vamos investir em pavimentação, vamos construir ainda mais estradas e assim podemos ajudar o setor produtivo melhorando o transporte”. Afirma o governador Pedro Taques.

21 Embaixadores de cinco continentes estiveram presentes no Fórum. Eles vieram com o objetivo de conhecer as técnicas de produção utilizada em nosso País, para fomentar a produção e o setor do agronegócio em seus respectivos País. Chin Siew Fie, chefe de missão da embaixada de Singapura, disse que veio participar para entender mais o processo de produção e conversar sobre política para industrialização do milho. “Acho o milho uma cultura importante. O Brasil planta o milho e também industrializa, e nosso País quer apreender mais sobre as políticas voltadas para o agronegócio, porque assim podemos fazer mais coisas”. Ressalta Chin Siew Fie, embaixadora da Singapura.

O presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, José Nardes, falou que o evento foi organizado com parcerias e muito trabalho. “Eu agradeço a todos que participaram com a gente deste grandioso evento. Estou muito feliz, e quero agradecer a todos como a prefeitura, o governo do estado, a Famato, os embaixadores que vieram, e todas as outras autoridades políticas, também entidades, prefeitos da nossa região, ao Canal Rural que nos desafiou e fizemos o evento acontecer com muito esforço e dedicação”. Finaliza o presidente do Sindicato Rural José Nardes.

Segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEA) com o incremento na produtividade, o quinto levantamento de safra 2016/17 de milho prevê uma produção de 29,53 milhões de toneladas em Mato Grosso, aumento de cerca de 54,63%, o equivalente a mais de dez milhões de toneladas em relação à safra 2015/16, caminhando assim, para consolidar-se como a maior quantidade produzida do cereal em mato-grossense. Primavera do Leste plantou nesta safra de milho uma média de 167.582 hectares de milho, sendo uma média de 4 milhões de toneladas de grãos.



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A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


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